Solenidade reuniu escritores, artistas e convidados em uma celebração da cultura e da identidade de Manhumirim.



Manhumirim (MG) — A Academia Manhumiriense de Letras realizou uma solenidade marcada pela literatura, música, arte e memória, celebrando a chegada de novos membros à instituição e reforçando seu compromisso com a preservação da identidade cultural do município.
As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão
Por Lídia Maria Nazaré Alves
“As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.” Os versos de Carlos Drummond de Andrade, poeta que contribuiu significativamente para a construção do imaginário mineiro, poderiam traduzir a essência da solenidade da Academia Manhumiriense de Letras, realizada em 21 de agosto de 2026, no Seminário Apostólico, em Manhumirim: uma noite em que literatura, memória e pertencimento se encontraram para celebrar pessoas e histórias que fazem parte da identidade de Manhumirim.



A presidente da Academia, Luci Porcaro Nunes, abriu a solenidade convidando os presentes a entoarem o Hino Nacional Brasileiro, gesto que conferiu ao momento inaugural um sentido de solenidade, pertencimento e celebração da cidade e de sua história.



/Em um momento de grande significado, o Acadêmico Padre José Raimundo, o querido Mundinho, proferiu a oração de abertura da solenidade.
Antes de iniciar, fez uma emocionante reverência ao grande sábio de nossos tempos, o Poeta Cardeal José Valentim Mendonça, reconhecendo sua trajetória, sua sabedoria e sua contribuição à cultura e à literatura.
Representando a Academia Manhuaçuense de Letras, esteve presente o Dr. Sérgio Alvim Leite, levando a presença e o reconhecimento da instituição a este importante momento.
Um encontro marcado pela fé, literatura, cultura, memória e respeito àqueles que dedicam suas vidas ao conhecimento e às letras.



Foi nesse espírito que Maria Amélia Bracks Duarte abriu sua participação, evocando Drummond e sua relação afetiva com a cidade natal. Mais do que recordar um lugar, sua fala trouxe à tona a força da memória na construção da identidade de uma comunidade. Afinal, uma cidade também se reconhece nas vozes daqueles que a narram, nas histórias que preserva e nas pessoas que ajudam a construir sua trajetória.



A solenidade marcou a chegada de novos membros à Academia Manhumiriense de Letras, ampliando um espaço dedicado à literatura, à cultura e à preservação da memória de Manhumirim. Os discursos dos novos acadêmicos revelaram diferentes formas de compreender a cidade e a literatura, mas convergiram em um mesmo sentimento: o compromisso de preservar e fazer circular a memória cultural do município, por meio das letras e de outras artes.



Alfredo Ceolin destacou, em sua fala, a importância da Academia como espaço de encontro entre gerações, saberes e experiências. Francisco Goiás Filho, por sua vez, trouxe para a solenidade a força das lembranças e das relações construídas ao longo da vida, reafirmando que escrever sobre uma cidade é também escrever sobre aqueles que a constituíram.



Entre os novos acadêmicos que residem em Manhumirim, também se destacaram diferentes formas de expressão artística e literária. Letícia Sanglard Almeida, pianista e à frente de uma escola de música, compartilhou a experiência de seus alunos, que apresentaram um musical com letras de autoria própria, revelando o trabalho de formação e incentivo à criação artística desenvolvido na cidade. Maria José Silveira Soares, professora e escritora, ressaltou a importância da Academia como espaço de escrita, encontro e valorização da produção cultural. Já Sônia Maria Pinto de Carvalho, pianista, e Janete Abreu, poetisa, manifestaram sua satisfação em integrar as fileiras daqueles que se dedicam às artes, reafirmando o compromisso com a cultura e com a expressão artística em Manhumirim.



Teógenes Nazaré Alves, residente em Manhuaçu, também passou a integrar a Academia, trazendo consigo uma trajetória marcada pela diversidade de linguagens e pela intensa atuação cultural. Músico, compositor, artista plástico, cineasta, produtor cultural, comunicador e radialista, desenvolve seu trabalho em diferentes áreas da criação e da difusão da cultura. Sua presença amplia o diálogo da Academia com outras manifestações artísticas e reafirma a importância de acolher diferentes experiências e formas de expressão no campo cultural.



Alexandre de Paula Schubert, violinista, compositor e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), residente no Rio de Janeiro, também passou a integrar a Academia. Em sua fala, destacou a alegria de fazer parte da instituição e de contribuir, por meio da música e da educação, para o fortalecimento dos vínculos culturais que aproximam Manhumirim de seus filhos e de pessoas que mantêm com a cidade uma relação de afeto e pertencimento.



Ao longo da cerimônia, a palavra ocupou seu lugar de destaque. Não apenas como instrumento de expressão, mas como forma de preservar aquilo que o tempo poderia levar. A literatura apareceu, assim, como uma espécie de guardiã da memória coletiva: registra pessoas, lugares, sentimentos e acontecimentos, transformando experiências individuais em patrimônio compartilhado.



Essa missão de preservar e compartilhar a memória cultural de Manhumirim encontra uma referência especial na figura de seu patrono, Padre Demerval Alves Botelho, escritor, professor e historiador que dedicou parte significativa de sua obra ao registro da história da cidade e da região. Autor de História de Manhumirim: Município e Paróquia, entre outras obras, Padre Demerval deixou para as novas gerações um importante legado de preservação da memória local.



E foi no encerramento que poesia, dramatização e música se encontraram, em uma síntese sensível daquela noite, reafirmando também a função social da Academia de Letras: preservar, compartilhar e manter viva a literatura como patrimônio cultural e instrumento de reflexão e encontro entre as pessoas. Nesse espírito, o poema “Eros e Psique”, de Fernando Pessoa, foi recitado por Lídia Maria Nazaré Alves, enquanto Olívia Dias Arbuíni e Matheus Portugal Nazaré Alves deram vida à narrativa por meio da dramatização. Ao piano, Sônia interpretou o Noturno nº 2, de Chopin, cuja música acompanhou a apresentação, criando uma atmosfera de delicadeza e contemplação e encerrando a noite com a união entre literatura e música.






Na sequência, Celeste Aida, também ao piano, apresentou a canção É Preciso Saber Viver, encerrando a programação artística com uma mensagem que dialogava profundamente com o sentido da noite: a importância de seguir, aprender, lembrar e transformar a experiência vivida em legado.



Após a apresentação de Celeste Aida, a presidente da Academia encerrou a solenidade, fechando uma noite marcada pela palavra, pela música, pela arte e, sobretudo, pela memória.
Entre a religiosidade, a literatura, a música e a memória, a solenidade reafirmou a Academia como um espaço de preservação da história cultural de Manhumirim.



Assim, a solenidade terminou, mas não terminou aquilo que ela celebrou. Permanecem os nomes, as histórias, os afetos e as palavras. Permanecem, sobretudo, as memórias de uma cidade que continua a se reconhecer em sua literatura e em seus escritores.
Como escreveu Drummond, “As coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”
A noite foi encerrada com um jantar feito pelo Buffet Stella, em um momento de confraternização entre acadêmicos, convidados e familiares.






Texto: Lídia Maria Nazaré Alves
Fotografia: Maria Eduarda Feitosa Nunes.
Imagens, cobertura e edição: Teógenes Nazaré Alves















Assista no instagram: https://www.instagram.com/p/Dcy2Wu7pIPe/




