O Brasil se despede de um dos maiores nomes da música popular brasileira. Lô Borges, cantor, compositor e cofundador do icônico movimento Clube da Esquina, faleceu neste domingo, 2 de novembro de 2025, aos 73 anos, em Belo Horizonte, cidade onde nasceu e eternizou sua arte.
Internado desde o dia 18 de outubro no Hospital Unimed, o artista enfrentava um quadro de intoxicação medicamentosa. Apesar de sinais iniciais de melhora, sua partida deixa um vazio irreparável na cultura nacional.



Um artista essencial para a MPB Nascido Salomão Borges Filho, em 10 de janeiro de 1952, Lô Borges construiu uma carreira marcada pela inovação e sensibilidade musical. Ao lado de Milton Nascimento e Beto Guedes, foi um dos pilares do Clube da Esquina, movimento que revolucionou a música brasileira ao mesclar MPB, rock, jazz, folk e música clássica.
O marco inicial dessa revolução foi o álbum duplo “Clube da Esquina”, lançado em 1972, com clássicos como “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela” e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”. O disco figura entre os maiores da história da música brasileira, ocupando a 7ª posição na lista da Rolling Stone Brasil.



O legado de um compositor singular Ainda em 1972, Lô lançou seu primeiro álbum solo, o cultuado “Disco do Tênis”, que consolidou seu estilo psicodélico e experimental. Ao longo da carreira, lançou mais de 14 discos, sendo o último, “Céu de Giz”, em parceria com Zeca Baleiro, em agosto de 2025.
Suas composições foram interpretadas por gigantes da MPB como Elis Regina, Tom Jobim, Skank, Flávio Venturini, Nando Reis e 14 Bis. Em 2023, foi indicado ao Grammy Latino pelo álbum “Não Me Espere na Estação”, em colaboração com o letrista César Maurício.



Presença viva nas plataformas Com cerca de 500 mil ouvintes mensais no Spotify, Lô Borges manteve sua relevância entre gerações. Suas músicas continuam a embalar corações e inspirar artistas, reafirmando seu papel como guardião da melodia brasileira.
Família e fãs Lô Borges deixa seu filho Luca Borges, de 27 anos, e cinco irmãos: Márcio, Telo, Marilton, Nico e Yé. Mais do que isso, deixa uma legião de admiradores que encontram em sua obra um refúgio poético e sonoro.



Alguns dos momentos mais importantes e luminosos da Música Popular Brasileira aconteceram entre 1970 e 1971, na então Praia de Mar Azul, hoje conhecida como Prainha de Piratininga, em Niterói (RJ). Foi nesse cenário de brisa e inspiração que Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes viveram por cerca de dez meses, compondo grande parte do álbum que mudaria a história da música brasileira: o lendário “Clube da Esquina”, lançado em 1972.
Uma esquina que virou eternidade A esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro Santa Tereza, onde tudo começou, hoje se torna símbolo de saudade e reverência. Lô Borges não apenas fundou um movimento — ele fundou uma linguagem, uma forma de sentir o Brasil.



Continue, Lô, sua “viagem de ventania”… Na memória afetiva de gerações, Lô Borges permanece tocando e cantando, como se cada acorde seu soprasse novos sentidos sobre o Brasil. Sua música, feita de poesia e paisagem, não se apaga com o tempo — “a chama não tem pavio”, como ele mesmo cantou.



Na esquina onde tudo começou, no coração de Santa Tereza, a melodia segue ecoando. E enquanto houver um girassol voltado para o sol, haverá alguém ouvindo Lô, sentindo Lô, sendo Lô.
Obrigado por tudo, mestre.
Por Teo Nazré – TNTVNEWS.





