MANHUAÇU (MG) – O Conselho Municipal de Promoção pela Igualdade Racial (COMPIR), em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Trabalho, promoveu nesta quinta-feira, 20, uma tarde vibrante de atividades culturais e educativas em comemoração ao Dia da Consciência Negra. O evento reuniu apresentações artísticas, oficinas e debates, reforçando a importância da data para a valorização da cultura afro-brasileira e para a luta contínua contra o racismo estrutural.
A importância da data
O Dia da Consciência Negra é mais do que uma celebração: é um marco de resistência e memória. Para o povo negro, representa a continuidade da luta por reparação histórica e igualdade de oportunidades. Embora tenha ganhado maior visibilidade a partir de 1971, sua essência remonta ao pós-abolição, em 1888, quando a população negra passou a reivindicar direitos e reconhecimento. Desde o ano passado, a data tornou-se feriado nacional, ampliando seu alcance e relevância.
“É um momento de reafirmação da nossa identidade e de lembrança de que ainda há muito a conquistar. O negro precisa ser respeitado e ter acesso às mesmas oportunidades que qualquer cidadão”, destacou a professora e ativista cultural Negra Jô, que emocionou o público com a apresentação da dança Afro Pérola Negra.
Arte e cultura como resistência
A programação foi marcada pela diversidade de expressões artísticas:
Grupo de Percussão IFES (Realeza), sob a batuta do músico e professor Bernardo Leitão
Instituto Mover e o Ballet Pollydiana Salazar
Grupo de Capoeira IBC
Oficinas de escritores e artistas plásticos
Shows com os cantores Vinícius Reis, Donato Lima, Lina Soares “Mineirinha” e Adryan Monteiro
Cada apresentação trouxe ao palco a força da ancestralidade e a beleza da cultura afro-brasileira, transformando o espaço em um verdadeiro mosaico de resistência e celebração.
Educação e consciência
O presidente do COMPIR, professor Luciano Lima, reforçou a necessidade de manter vivo o debate nas escolas e na sociedade, lembrando a importância da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira no currículo escolar.
“A conscientização não pode ser pontual, precisa ser contínua. A Lei 11.645/08 ampliou esse compromisso, incluindo também a história e cultura indígena. É fundamental que nossas crianças cresçam conhecendo e valorizando essas raízes”, afirmou Luciano Lima. “Agradeço a todos que compareceram, aos conselheiros e à Secretária Executiva do COMPIR, Ana Paula Sather, que têm sido parceira incansável nessa jornada.”
Cultura e turismo unidos
O gerente de turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Daniel Clemente, também destacou a relevância da celebração:
“Este foi um momento espetacular para celebrar o Dia da Consciência Negra. O povo negro carrega um potencial imenso e uma cultura milenar inigualável e lindíssima, que vem sendo preservada e divulgada ao longo dos tempos, não deixando morrer a história cultural da raça. Como apoiador do evento, parabenizo todos os artistas e atores envolvidos pelo profissionalismo e pelo sucesso desta grande celebração.”
Reflexão e futuro
O evento em Manhuaçu não foi apenas uma comemoração, mas um chamado à reflexão. A cada música, dança e palavra, ecoava a mensagem de que a luta contra o racismo e pela igualdade é diária e coletiva. A cidade se uniu em um gesto simbólico de reconhecimento e valorização da cultura negra, reafirmando que o Dia da Consciência Negra é um espaço de memória, resistência e esperança.