Em 1964, o Brasil recebeu uma visita que mudaria para sempre o destino de uma pequena vila de pescadores. Brigitte Bardot, ícone do cinema francês e símbolo mundial de beleza, desembarcou no Rio de Janeiro acompanhada do namorado Bob Zagury. Fugindo da perseguição da imprensa europeia, Bardot buscava refúgio e tranquilidade — e encontrou em Búzios, no litoral fluminense, o cenário perfeito para se esconder dos holofotes.
Do glamour de Paris à simplicidade de Búzios
Nascida em Paris em 1934, Bardot iniciou sua carreira como modelo e bailarina antes de conquistar o cinema. O filme E Deus Criou a Mulher (1956) a transformou em mito internacional, mas também trouxe uma pressão insuportável da mídia. Foi essa busca por anonimato que a levou ao Brasil.
Em Búzios, Bardot se hospedou em casas simples, frequentou praias como Ossos, João Fernandes e Manguinhos, e se encantou com a vida pacata dos pescadores. A atriz circulava discretamente, muitas vezes de pés descalços ou em um Fusca vermelho, longe dos flashes, mas sua presença não passou despercebida.
A transformação de uma cidade
A passagem de Bardot foi curta, mas suficiente para colocar Búzios no mapa do turismo mundial. O que antes era uma vila isolada tornou-se destino de celebridades e visitantes estrangeiros. Hoje, a Orla Bardot e a estátua em sua homenagem, inaugurada em 1999, eternizam esse encontro histórico entre a estrela francesa e o Brasil.
Beleza, assédio e imprensa
Com seus cabelos loiros e olhos claros, Bardot era alvo constante da curiosidade da imprensa e do assédio dos fãs. No Brasil, jornais e revistas publicavam diariamente notícias sobre sua rotina, reforçando o mito em torno de sua figura. Apesar disso, ela buscava simplicidade: apreciava a culinária local, a vida à beira-mar e a liberdade de caminhar sem ser perseguida.
Música e Brasil
Durante sua estadia, Bardot também se aproximou da música brasileira. Gravou sua versão da faixa Maria Ninguém com Carlos Lyra, astro da bossa nova, mostrando que sua relação com o país ia além das praias e do refúgio.
Legado e causas
Após se afastar do cinema nos anos 1970, Bardot dedicou-se à defesa dos animais, criando a Fundação Brigitte Bardot. Sua relação com os fãs sempre foi marcada por intensidade: idolatrada, mas também criticada, ela se manteve fiel às suas convicções.
Crítica à urbanização
Em entrevista à RFI em 2017, Bardot lamentou a transformação de Búzios:
“Guardo recordações únicas. Uma lembrança mágica, magnífica. Foi o lado selvagem do lugar que me seduziu. Mas o que Búzios se tornou hoje me deixa atordoada. É uma pena.”
Últimos anos
Brigitte Bardot faleceu em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos, na França. Sua trajetória, marcada por glamour, polêmicas e ativismo, permanece viva. No Brasil, sua memória está gravada não apenas na estátua de Búzios, mas na transformação cultural que sua visita provocou.
Brigitte Bardot em Búzios: quando o mito encontra a paisagem
Há pessoas que não pertencem apenas ao tempo. Pertencem à memória, à paisagem, ao que permanece mesmo quando o mundo muda.
Búzios guarda Brigitte Bardot em silêncio e em imagem. Nas fotografias que atravessam décadas, no olhar livre que nunca pediu permissão, nos pés descalços que tocaram essa terra como quem reconhece um lar. Cada foto sua é mais do que registro: é presença viva, gesto de liberdade congelado no tempo.
Você não só passou por Búzios. Você ficou. Sentiu o vento que move as cortinas, o sol que insiste em dourar as manhãs, o mar que nunca se cansa de voltar. A cidade aprendeu com você que beleza não se explica, que a mulher não se limita, que a natureza não se doma.
Chamaram você de musa, mas musas inspiram de longe. Você fez diferente: caminhou junto, escolheu o silêncio, preferiu o essencial. Tornou-se parte da alma de Búzios, como se sempre tivesse estado aqui.
Força da natureza em forma de mulher. Liberdade sem moldes. Presença que não se apaga.
Búzios agradece. Porque há nomes que não se despedem: eternizam-se na paisagem, no afeto e na memória.
A estrela que iluminou o mundo
Brigitte Bardot foi um dos grandes nomes do cinema do século XX. Símbolo sexual, ativista e atriz consagrada, conquistou o planeta com seu primeiro grande papel em E Deus Criou a Mulher (1956). A cena em que dança descalça sobre a mesa permanece até hoje como uma das mais icônicas da história do cinema.
O impacto foi imediato: Bardot lançou tendências, popularizou o uso do biquíni e tornou-se referência de liberdade feminina. Nos anos seguintes, colecionou sucessos como Ao Cair da Noite (1958), novamente com Roger Vadim, e Viva Maria! (1964), ao lado de Jeanne Moreau, que lhe rendeu indicação ao BAFTA. Atuou também em Histórias Extraordinárias com Alain Delon e Shalako com Sean Connery, até se despedir das telas em 1974, aos 40 anos.
O encontro com Búzios
Em 1964, Bardot esteve duas vezes em Búzios. Na primeira visita, em janeiro, hospedou-se por quatro meses em Manguinhos, acompanhada do namorado Bob Zagury. Voltou em dezembro, atraída pelo aspecto bucólico e pela hospitalidade dos moradores.
Para os locais, Bardot era apenas “uma criança bonita, parecida com uma boneca de olhos verdes”, como registrou o Jornal do Brasil. Mas sua presença mudou para sempre o destino da cidade: o balneário, até então discreto, foi revelado ao mundo.
A homenagem eterna
Em reconhecimento, Búzios inaugurou em 1999 a Orla Bardot, onde uma estátua celebra a atriz que se tornou parte da alma da cidade. Desde então, Búzios nunca mais saiu de moda.
Brigitte Bardot não foi apenas visitante. Foi revelação, inspiração e memória viva. Sua história permanece como estrela de maior destaque do cinema e como símbolo de liberdade que encontrou em Búzios um lar eterno.
Conclusão
Brigitte Bardot não apenas visitou o Brasil — ela deixou uma marca indelével. Sua fuga para Búzios em 1964 transformou uma vila de pescadores em destino internacional e criou uma relação afetiva que até hoje atrai turistas e fãs.