TNTV News
Nenhum resultado
Ver todos resultados
TNTV News
Nenhum resultado
Ver todos resultados
TNTV News
Nenhum resultado
Ver todos resultados

Entre versos e canções: quando a escola se transforma em palco da memória

por Téo Nazaré
28 de agosto de 2026
em Geral
A A
Entre versos e canções: quando a escola se transforma em palco da memória
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no

Por Lídia Maria Nazaré Alves

Há momentos em que a escola deixa de ser apenas o lugar onde se ensina e se aprende e passa a ser, também, o lugar onde a cultura se encontra, se reinventa e ganha corpo. Foi assim na noite de 27 de agosto de 2026, na EVEC –Manhumirim, Direção de Jander Kenedy Nogueira Soares e Coordenação de Loana da Fonseca Cávoli quando a comunidade escolar se reuniu para viver o projeto “Entre Versos e Canções: Cultura e Sociedade ao Longo das Décadas”.

Mais do que uma sequência de apresentações, o festival foi uma viagem por diferentes tempos, atravessada pela literatura, pela música, pelo teatro, pela dança e pelas diversas formas de expressão artística. A proposta nasceu do desejo de aproximar os estudantes das manifestações culturais e dos contextos históricos que ajudaram a constituir diferentes gerações.

Há alguns anos, participo, como visitante, dos eventos promovidos pela EVEC. É uma escola dinâmica, que frequentemente abre suas portas para a cultura e transforma seus espaços em lugares de encontro, criação e celebração. Já acompanhei quadrilhas, manifestações artísticas e outros momentos em que os estudantes revelaram seus talentos. Há sempre algo de novo nesses encontros, porque a escola parece compreender que educar também é possibilitar ao aluno a experiência de produzir cultura.

O festival deste ano, entretanto, trouxe uma particularidade: o multiculturalismo. Ao percorrer diferentes décadas e linguagens, os estudantes foram convidados a reconhecer a diversidade das manifestações culturais, percebendo que cada tempo carrega seus sons, seus gestos, suas roupas, suas histórias, seus valores e seus modos de compreender o mundo.

E, como visitante, uma coisa me chamou especialmente a atenção: o quanto os alunos desenvolveram suas performances.

A noite começou com a força do heavy metal. Bateria e guitarra irromperam no palco em uma apresentação de grande intensidade, exigindo dos músicos domínio técnico, sintonia e, sobretudo, energia. A bateria, firme do primeiro ao último compasso, sustentou o ritmo com precisão e impressionante resistência, enquanto a guitarra respondia com igual vigor, fazendo o som ocupar todo o espaço. Não houve hesitação nem perda de fôlego: os dois músicos mostraram que a força de uma apresentação também nasce da entrega de quem está no palco. Foi uma abertura potente, daquelas que despertam a plateia e anunciam que a noite seria, antes de tudo, uma celebração da arte em suas múltiplas formas.

No ano passado, A Bela e a Fera arrancou-me de dentro de mim. Havia naquela apresentação uma força capaz de nos deslocar do lugar de espectadores e nos lançar para dentro da narrativa. Este ano, foi Auto da Compadecida que me mostrou o quanto os estudantes estavam comprometidos com a tarefa cultural que lhes fora confiada.

O palhaço que abriu a apresentação transformou o palco em picadeiro. De repente, já não estávamos apenas diante de uma encenação: estávamos diante de um espetáculo. O palco ganhou movimento, cor, comicidade e presença. Fomos às alturas.

Em outro momento da noite, uma garota, com sua dança inspirada nos anos 1960, ocupou o centro do palco e, como se carregasse uma luz própria, irradiou-a para todo o ambiente. Não era apenas uma coreografia. Era presença. Era o corpo contando a história de uma época, fazendo a memória daquele tempo reviver diante dos nossos olhos.

E as apresentadoras, Loana e Marcela, também não ficaram à margem da cena. Com suas roupas inspiradas nos anos 1960, integraram-se ao próprio cenário, mostrando que, em um espetáculo como aquele, cada detalhe pode participar da construção de sentidos. Figurino, música, movimento, voz e presença se entrelaçavam para produzir uma experiência estética.

Ao longo da preparação, os estudantes pesquisaram épocas, obras literárias, músicas, artistas, costumes e modos de vestir. O conhecimento, assim, não permaneceu restrito às páginas dos livros ou às explicações da sala de aula: transformou-se em cenário, figurino, movimento, voz, música e presença.

É talvez essa uma das maiores riquezas de um projeto interdisciplinar: permitir que o aluno compreenda que os saberes não existem isoladamente. Literatura conversa com História; música dialoga com a memória; o corpo também conta histórias; a imagem produz sentidos; e a arte pode tornar visível aquilo que, muitas vezes, aprendemos apenas de maneira abstrata.

O próprio projeto foi concebido nessa perspectiva, envolvendo Língua Portuguesa, Artes, Literatura, Música, História, Educação Digital e Língua Inglesa, por meio de pesquisas, leituras, ensaios, produção de figurinos e cenários e apresentações culturais.

E foi justamente no palco que todo esse trabalho encontrou sua forma mais visível.

Obras como A Menina do Narizinho Arrebitado, O Pequeno Príncipe, O Menino Maluquinho, Extraordinário, Auto da Compadecida, Percy Jackson e Felicidade Clandestina foram incorporadas à proposta, aproximando literatura e experiência artística. Cada apresentação, a seu modo, estabeleceu uma ponte entre aquilo que os estudantes estudaram e aquilo que foram capazes de criar.

Os familiares, por sua vez, puderam assistir, com evidente encantamento, às performances dos filhos. Havia, no olhar de muitos deles, o orgulho de reconhecer nos jovens que estavam diante do palco não apenas seus filhos, mas também sujeitos capazes de criar, interpretar, emocionar e ocupar um espaço de expressão.

O festival revelou, assim, algo que nem sempre aparece nos resultados tradicionais de uma atividade escolar: o processo de construção coletiva. Antes de subir ao palco, houve pesquisa, criação, ensaio, escolhas, dificuldades, colaboração e descobertas. O projeto valorizou participação, criatividade, organização, comprometimento, oralidade e trabalho em equipe.

E foi esse comprometimento que se tornou perceptível para quem estava na plateia.

No encerramento, Luís Felipe, em uma performance de um inesquecível Michael Jackson, levou a noite a outro patamar. Seu corpo, seus gestos, sua dança e sua presença cênica recuperaram a força de um artista que atravessou gerações. Foi uma apresentação vibrante, que fechou o evento com uma espécie de chave de ouro avermelhado, como se a própria intensidade da performance anunciasse que aquela noite chegava ao fim, mas não terminaria na memória de quem a viveu.

Talvez a imagem mais bonita daquela noite não esteja apenas nas apresentações prontas, mas naquilo que elas revelaram: alunos produzindo, professores orientando, diferentes áreas do conhecimento se encontrando, familiares se emocionando e uma comunidade escolar compartilhando uma experiência cultural. A escola, quando produz cultura, deixa de ser apenas espectadora da sociedade e passa a participar ativamente de sua construção. É nesse sentido que projetos como Entre Versos e Canções ultrapassam a dimensão de uma atividade avaliativa. Eles criam experiências, despertam sensibilidades e ajudam os estudantes a perceber que aprender também pode significar criar, interpretar, sentir e compartilhar.

E talvez seja justamente aí que resida a grandeza da arte. Ela não precisa necessariamente ensinar uma lição objetiva. Às vezes, sua missão é simplesmente nos arrancar do lugar habitual, provocar encantamento, despertar emoções e permitir que, por alguns instantes, esqueçamos a pressa cotidiana para contemplar aquilo que o outro foi capaz de criar.

Fruição.

Foi isso que experimentei naquela noite.

Entre versos, canções, danças, personagens, figurinos e performances, a EVEC nos ofereceu mais do que um festival. Ofereceu-nos uma experiência de encontro com a arte e com a cultura.

Porque talvez seja essa a função mais bonita da arte: fazer o tempo voltar por alguns instantes, para que possamos reconhecê-lo e, ao reconhecê-lo, compreender melhor quem somos.

Na EVEC, naquela noite de agosto, a escola se fez palco. E o palco, por sua vez, tornou-se lugar de encontro entre passado e presente, entre conhecimento e emoção, entre aqueles que ensinam e aqueles que aprendem.

Entre versos e canções, a cultura encontrou morada na escola.

E, naquela noite, a arte cumpriu sua missão mais essencial: a fruição. Parabéns aos professores de linguagens: Lidiene Rodrigues, Vanderson e minhas duas ex- alunas Marcela Assis (E.E. Alfredo Lima) e Lorena da Fonseca Cávoli (UEMG)

/Vídeo no Instagram: (9) Instagramhttps://www.instagram.com/p/DcmHS5-pcb5/

Reportagem: Lidia Maria Nazaré Alves. TNTV NEWS.

Veja também

Uma nova turma, novas descobertas e uma viagem encantadora pelo História do Café.
Geral

Uma nova turma, novas descobertas e uma viagem encantadora pelo História do Café.

23 de outubro de 2026
Caminhada com Jesus e Maria reúne centenas de fieis em Mamhuaçu
Geral

Caminhada com Jesus e Maria reúne centenas de fieis em Mamhuaçu

22 de outubro de 2026
Super Leitores, Manhuaçu celebra o encerramento de uma semana de imaginação, leitura e aprendizado
Geral

Super Leitores, Manhuaçu celebra o encerramento de uma semana de imaginação, leitura e aprendizado

19 de outubro de 2026
Próximo Post
Academia Manhumiriense de Letras recebe novos membros em noite de literatura, música e preservação da memória.

Academia Manhumiriense de Letras recebe novos membros em noite de literatura, música e preservação da memória.

Biografia de Teógenes Nazaré Alves.

Biografia de Teógenes Nazaré Alves.

PUBLICIDADE
Facebook Instagram Youtube
TNTV News

Notícias, informação e cultura.

Categorias

  • Cultura
  • Geral
  • Política

Tags

APAE Manhuaçu

© 2025/2026 TNTV News - Informação e cultura | feito por JMweb

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Nenhum resultado
Ver todos resultados
  • Início
  • Artes
  • Cultura
  • Geral
  • Música
  • Política
  • Saúde
  • Vídeos

© 2025/2026 TNTV News - Informação e cultura | feito por JMweb

Este site utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este site, você concorda com o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade.